Numa altura em que as taxas de juro estão muito baixas, com as aplicações tradicionais como os depósitos a oferecer um retorno próximo de zero, é frequente os aforradores ou investidores questionarem-se “que alternativas tenho para aplicar o meu dinheiro?”.

Neste artigo não lhe vamos dar conselhos de investimento em produtos com alta rentabilidade num curto espaço de tempo. Não é por sermos mauzinhos e querermos esses rendimentos para nós… é porque simplesmente esse tipo de investimentos não existem! Nunca são demasiados os avisos: se lhe oferecerem propostas de investimento que lhe pareçam extraordinárias, ou simplesmente superiores ao resto do mercado, desconfie. Desconfie muito!

O que aqui lhe vamos mostrar são os pontos chaves que deve ter em conta aquando da criação do seu portfólio de investimento, tendo em conta o seu perfil de investidor.

Porque devo investir?

O aumento da longevidade da população e a pressão sobre os sistemas de Segurança Social confrontam-nos com reformas cada vez mais baixas, e levam-nos à necessidade de constituir uma poupança. Mais do que isso, a efetuarmos um planeamento financeiro adequado e cuidado.

A preservação do património para manter o nível de vida na reforma, a procura de soluções eficientes de transferência de património para próximas gerações e a proteção contra riscos extremos como doenças, são diversas razões que o podem a levar a querer investir o que tem poupado.

Para além das motivações, a fase da vida em que está, assim como o seu estilo de vida habitual, condição do agregado familiar e os seus objetivos concretos, em termos de compra de casa, carro, viagens de sonho, educação dos filhos, entre outros, deverão entrar na equação aquando da criação do seu perfil de investidor e portfólio.

Princípios para construir o portfólio

  • Diversifique

Este é clássico: “nunca colocar todos os ovos no mesmo cesto”, ou seja, deveremos procurar construir uma carteira de ativos/produtos financeiros com diferentes tipos de soluções (depósitos, depósitos estruturados, seguros, fundos de investimento), diversificação por emitentes e classes de ativos (ações, obrigações, commodities, imobiliário), preferencialmente exposta a diferentes regiões e áreas de atividade. Desta forma, se alguma coisa correr mal com uma determinada empresa ou em determinada região do mundo, está mais salvaguardado do que se tivesse investido tudo no mesmo produto.

  • Preserve liquidez

Um dos fatores cruciais para a seleção de um produto financeiro é a possibilidade de dispor do capital investido em qualquer momento, ou seja, de podes demobilizar e ficar com dinheiro que pode movimentar. Na construção do seu património financeiro, mantenha sempre disponível determinada verba. Esta “almofada de segurança” pode ser-lhe útil em caso de emergência (desemprego, doença prolongada, entre outros). O montante pode variar, mas deve apontar para, sempre que possível, o equivalente a cerca de um ano de salário.

  • Defina o horizonte temporal

O portfólio de investimentos deve compor-se por produtos com maturidades e liquidez distintas em função dos objetivos de investimento e características pessoais. Também aqui a diversificação é importante. No momento de cada investimento, pergunte-se sobre o tempo (maturidade) a que quer investir e sobre o risco que está disposto a assumir. Em termos de prazos curtos de investimento, a tendência mais natural é pensar na opção menos arriscada. Ou seja, a necessidade próxima de liquidez pode obrigar a prazos mais curtos, mas atenção, esta pode revelar-se a solução menos acertada. De facto, “o tempo é amigo de rendibilidades superiores”. Se se restringir a horizontes até três anos, a possibilidade de obter rendimentos mais altos fica condicionada. A atual conjuntura de taxas só vem agravar esta realidade. Isto significa que, uma vez garantida uma “almofada financeira”, e de fazer face a necessidades de curto prazo, importa assegurar o planeamento financeiro para horizontes temporais mais longos.

  • Avalie os riscos envolvidos

Por muito que lhe custe, não existem ativos financeiros sem risco! A dimensão e características dos riscos associados é que pode ser diferenciada nas suas variantes (mercado, crédito, cambial, liquidez, fiscal, política e de conflito de interesses). Consciencialize-se de que para concretizar um maior retorno poderá ter de incorrer em maior risco. A multiplicidade e complexidade dos produtos exige informar-se devidamente sobre as características dos produtos e sobre os riscos do investimento. Por exemplo, se possui na sua carteira produtos de rendibilidade certa ou de capital garantido deverá informar-se sobre o risco de crédito das entidades subjacentes.